Alepe debate ações para prevenir gripe aviária em Pernambuco

Em 09/08/2023
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A chegada da influenza aviária ao Brasil, com a confirmação de mais de 70 focos pelo Ministério da Agricultura, motivou audiência pública na Assembleia Legislativa nesta quarta. Em debate, estratégias para barrar a doença em Pernambuco, o quarto maior produtor de ovos do País. As aves migratórias respondem por quase todas as contaminações confirmadas até agora, em estados como Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O Arquipélago de Fernando de Noronha e a Ilha da Coroa do Avião, no Litoral Norte, também estão na rota das migrações, o que aumenta o alerta.

A parceria do poder público com o setor produtivo é essencial para pelo menos adiar a chegada do vírus às granjas pernambucanas. A avaliação é de Raquel Miranda, presidente da Adagro, Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado. “Nós não temos estrutura suficiente para estar em todos os locais. Temos várias programas sanitários que a gente tem que cumprir tanto na área vegetal quanto animal, e a gente realmente precisa um reforço na nossa estrutura.”

A Agência mantém canais para denúncias de casos suspeitos. Onze ocorrências foram investigadas, a última no mês de maio, todas com resultado negativo. Medidas de biossegurança e o uso de telas de proteção são fundamentais segundo a equipe técnica do órgão. O combate à clandestinidade no setor foi defendida pelo presidente do Instituto Ovos Brasil, Edval Veras. A confirmação de um foco pode levar ao extermínio de todas as aves em um raio de até 3 quilômetros. Ele acredita que será preciso aprender a conviver com a influenza, um desafio a se somar com outras dificuldades do setor, como o alto custo de produção e a pouca oferta hídrica.

Representante do Ministério da Agricultura, Vânia Santana disse que não há previsão de teste de vacinas porque até agora nenhuma ave comercial foi atingida, o que mantém o status de país livre da doença para efeito de exportações. “A doença era exótica no Brasil até o ano passado, mas hoje ela está presente. Então a gente precisa estar alerta sobre o papel dos produtores. Quanto tempo a gente vem batendo para que os produtores adequem suas granjas na bioseguridade? Quantas reuniões nós já fizemos? E hoje a gente ainda bate nisso.”

Autora do pedido para realizar a audiência, a deputada Débora Almeida , do PSDB, apontou o risco do aumento da fome. “O ovo e o frango são as duas proteínas mais presentes na mesa do povo pernambucano e do povo brasileiro. E tem uma importância muito grande na geração de emprego, são mais de 170 mil empregos diretos gerados aqui em Pernambuco, então exige uma atenção, um cuidado muito grande.”

A representante do Ibama Pernambuco, Cristina Farias, ainda alertou para o risco de colocar as aves migratórias como vilãs. Os animais são, na verdade, sentinelas, que podem ajudar no controle do avanço da doença, segundo a especialista. Iran Vasconcelos, da CPRH, teme a perda da biodiversidade. Ele deu como exemplo a hipótese de um foco no Centro de Triagem de Animais Silvestres, o Cetas, mantido pela Agência.

A audiência pública desta quarta foi realizada pela Comissão de Agricultura da Alepe e também contou com a participação de representantes do Ministério Público de Pernambuco, Federação da Agricultura e Pecuária, Conselho Regional de Medicina Veterinária, Banco do Nordeste e Associação Avícola de Pernambuco.